É com enorme tristeza que abandono o CRSDC Santiago de Sub-Arrifana e mais que um clube, deixo um grupo fantástico, uma verdadeira equipa de atletas a quem devo muito e que considero uma segunda família.
As razões do meu abandono prendem-se essencialmente por não existir uma comunhão de ideias entre os responsáveis da Secção e a equipa técnica do Futsal Sénior. Para a preparação da próxima temporada foi proposto que nas equipas de futsal do CRSDC Santiago se implementasse um mesmo modelo de jogo, uma mesma filosofia de jogo e acima de tudo existir uma ligação directa e efectiva entre as camadas jovens e a equipa sénior ficando a coordenação técnica do Futsal de nossa responsabilidade. No entender dos responsáveis, as equipas são distintas e devem ser treinadas autonomamente, que a coordenação entre as equipas seria feita pelos responsáveis da secção e que qualquer assunto teria de ser tratado por intermédio deles.
No nosso entender esta não era de forma alguma a maneira correcta da secção funcionar e foi nossa interpretação pessoal que acima de tudo a decisão dos responsáveis, mais que qualquer simples decisão de gestão, foi uma reprovação do nosso projecto e das nossas ideias. Se num primeiro ano aceitei que as minhas ideias fossem questionadas, após uma subida e sermos campeões com a superioridade que fomos, não posso aceitar o facto de questionarem aquilo que era feito na equipa sénior. O ridículo desta situação é que com a nossa saída será feito aquilo que propusemos, porém, será feito pelas pessoas que eram responsáveis pelas camadas jovens…
Eu saio por vontade própria pelas razões acima enunciadas, mas para que fique bem explicito os responsáveis nunca mostraram uma verdadeira vontade para que a equipa técnica continuasse, não tivemos um único telefonema, único e-mail e apenas uma reunião marcada por minha iniciativa onde a situação posta na mesa foi “gostávamos que ficasse mas queres ficar ficas queres ir embora vais, ninguém te prende”.
Por ultimo e para fique esclarecido nunca foi minha intenção ficar a “mandar” na secção de Futsal como têm dito, nem em nenhuma ocasião ultrapassei os limites das minhas funções enquanto Treinador, saio com a consciência tranquila e com o sentimento de dever comprido.
Ao contrário de alguns nunca afirmei em lugar nenhum que o futsal só existe em Santiago porque eu estava lá!!! O futsal existe em Santiago pelo esforço de todos os que a ele se dedicam ou dedicaram e não é obra de uma única pessoa!!! Nunca desprezei o esforço ou dedicação de ninguém, nunca fui apologista do “endireita” para uns e fisioterapeuta para outros, esforcei-me por um grupo e pela família que ali tinha. Espero muito sinceramente e do fundo do meu coração que a minha saída sirva para que o futsal em Santiago siga o caminho correcto e que assim ganhe estrutura e raízes para perdurar no tempo. E se algum atleta abandonou ou vier a abandonar o clube, nunca foi nem nunca será pela minha influência.
“Os projectos por si só nada valem... Valem pelas pessoas que neles estão inseridas, valem pelo empenho das pessoas, valem pela qualidade das pessoas e acima de tudo valem pela satisfação que dão a quem neles participa.”
Estas foram as minhas palavras no fim do campeonato e nesta altura ganham ainda um maior significado!!!
Não posso deixar de agradecer aos associados do CRSDC de Santiago de Sub-Arrifana por me terem recebido em vossa casa durante dois anos fantásticos e por durante estes dois me terem adoptado como mais um Irmão na vossa família, continuarei a acompanhar a vida do Centro na medida em que me for possível e podem contar com a minha ajuda em tudo aquilo que estiver ao meu alcance. Uma palavra agradecimento para o Sr. Teixeira Presidente da Junta de Freguesia de Santiago de Sub-Arrifana, que sempre soube apoiar e incentivar o nosso trabalho, que sempre teve as mesmas palavras quer quando lutávamos por um quarto lugar, quer quando lutávamos por ser campeões.
Despeço-me com o desejo que o futsal em Santiago continue na senda da glória e do sucesso e não se perca o trabalho, a dedicação e o suor destes dois anos.
“A maior recompensa do nosso trabalho não é
o que nos pagam por ele, mas aquilo em que ele nos
transforma.”
(John Ruskin)
Bruno Teixeira











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